Tristeza que não passa: quando é altura de procurar ajuda

Uma tristeza que dura semanas nem sempre significa depressão, mas merece atenção. Conhece os sinais e percebe quando deves procurar avaliação.

HIPNOTERAPIA CLÍNICATRISTEZA

Miquelina Pires

8/13/20264 min read

Sunlit living room with neutral linen pillows on a sofa by a window with breezy curtains.
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Há uma frase que ouço com frequência, tanto nas sessões como fora delas: "não sei bem porque estou assim, só sei que já dura demasiado tempo."

Há tristeza que se explica com uma perda, uma decepção, um período mau que se sabe que vai passar. E há outra que continua, mesmo depois de tudo parecer resolvido, mesmo quando já não há motivo à vista. Não se trata de procurares um diagnóstico sozinha. Trata-se de reconheceres que alguma coisa em ti está a pedir atenção.

O que é, de facto, uma tristeza que não passa

"Tristeza persistente" não é, por si só, um diagnóstico. É a forma como descrevo o que ouço tantas vezes: uma tristeza que já não depende de um motivo, que já não vai e vem consoante o dia.

A duração importa, mas não é o único sinal. Importa também a intensidade, o que mais a acompanha, e o que já deixaste de conseguir fazer por causa dela.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, fala-se de um episódio depressivo quando o humor em baixo ou a perda de interesse e prazer se mantêm durante a maior parte do dia, quase todos os dias, durante pelo menos duas semanas, muitas vezes acompanhados de alterações do sono ou do apetite, falta de energia, dificuldade em concentrar, culpa, ou pensamentos sobre a morte.

Isto não significa que qualquer tristeza de duas semanas seja depressão. Significa que, quando os sintomas persistem ou começam a ocupar espaço na tua vida, já não faz sentido esperar que passem sozinhos.

Como costuma manifestar-se

Nem sempre aparece como choro constante. Muitas vezes é mais discreta:

  • perda de interesse ou prazer no que antes gostavas

  • cansaço que não melhora com sono

  • dificuldade em concentrar-te ou tomar decisões

  • irritabilidade ou vontade de te afastares das pessoas

  • sensação de vazio, culpa ou inutilidade

  • dificuldade em cumprir o que sempre cumpriste sem esforço

Nenhum destes sinais, sozinho, é prova de nada. Mas quando vários se juntam, e duram semanas, já não é só cansaço a mais.

Porque a força de vontade não costuma chegar

Quando alguém sente isto há semanas, ouvir que precisa de pensar positivo, de se distrair, ou de agradecer mais, raramente ajuda. Já ouvi isto de muitas mulheres, e nunca resolveu nada.

Não é fraqueza. Também não dá para adivinhar a causa só pela forma como te sentes. Uma tristeza persistente pode vir de perdas, de acontecimentos difíceis, de doença física, de alterações hormonais, de efeitos de medicação, ou de uma perturbação depressiva instalada. Por isso a força de vontade sozinha raramente chega. O que costuma fazer diferença é uma avaliação a sério, não mais uma tentativa de dar a volta por cima sozinha.

Que lugar pode ter a hipnoterapia aqui

A investigação sugere que a hipnose pode influenciar a atenção, a experiência emocional e algumas respostas fisiológicas ligadas ao stress. Um estudo publicado em 2026, com 49 estudantes de medicina, encontrou melhorias imediatas no stress percebido, na ansiedade e no desempenho depois de uma sessão de hipnose. Não avaliou pessoas com depressão ou tristeza persistente, e não permite concluir que a hipnose trata estas condições.

Uma revisão de vários ensaios clínicos, publicada em 2024, concluiu também que ainda não há evidência suficiente para recomendar a hipnose como tratamento para a gravidade da depressão.

Prefiro dizer isto com clareza a prometer mais do que aquilo que sei ser verdade. A hipnoterapia pode ser um apoio complementar, quando a tristeza está ligada a sobrecarga, stress prolongado ou respostas automáticas que o corpo aprendeu ao longo do tempo. Nunca substitui acompanhamento médico, psicológico ou psiquiátrico quando este é necessário.

Se procuras hipnoterapia em Tomar, hipnoterapia em Abrantes, ou atendimento online, é este o tipo de trabalho que faço em consultas: regulação do sistema nervoso, sem promessas de solução instantânea.

Quando procurar ajuda

Vale a pena procurares avaliação médica ou psicológica se a tristeza:

  • se mantém há duas semanas ou mais

  • aparece quase todos os dias

  • está a interferir com o trabalho, as relações ou o cuidado contigo mesma

  • vem acompanhada de perda de prazer, alterações do sono, falta de energia ou dificuldade em concentrar

  • está a piorar

  • te leva a pensar que a vida não vale a pena

Se houver pensamentos de morte, de suicídio, ou risco imediato, liga 112. Em situação de crise, podes também contactar a Linha SNS 24, através do 808 24 24 24.

Não precisas de perceber tudo sozinha

Se estás a viver uma tristeza que não passa, o primeiro passo não é dar-lhe um nome certo. É perceberes o que está a acontecer, e que apoio faz sentido para ti agora.

Tenho uma conversa inicial gratuita, online, com cerca de 20 minutos. Serve para conheceres a minha forma de trabalhar, tirares dúvidas, e percebermos juntas se a hipnoterapia pode ser um apoio complementar para ti. Se houver sinais de que precisas de avaliação médica, psicológica ou psiquiátrica, essa orientação vem sempre primeiro.

Miquelina Pires é enfermeira desde 1993 e hipnoterapeuta clínica, com consultório em Tomar e Abrantes e atendimento online em português.

Referências bibliográficas

Gallardo, L. M., & Chetri, S. (2026). Hypnosis as a mechanism of emotion regulation and self-integration: An integrative review of neural, cognitive, and experiential pathways to fundamental peace. Behavioral Sciences, 16(3), 395. https://doi.org/10.3390/bs16030395

Queirolo, L., Boscolo, A., Cracco, T., et al. (2026). Hypnosis reshapes multilevel stress response and enhances executive performance in stressed medical students. Scientific Reports, 16, 8844. https://doi.org/10.1038/s41598-026-40770-6

Souza, F. L., et al. (2024). Systematic review of randomized clinical trials with meta-analysis on hypnosis-based interventions for depressive symptoms. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39388785/

Organização Mundial da Saúde. (2025). Depressive disorder (depression). https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/depression

Serviço Nacional de Saúde 24. (2025). Depressão. https://www.sns24.gov.pt/tema/saude-mental/depressao/

Serviço Nacional de Saúde 24. (2025). Prevenção do suicídio. https://www.sns24.gov.pt/pt/tema/prevencao-e-cuidados-de-saude/prevencao-do-suicidio/

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