Sou enfermeira há 30 anos - Foi assim que cheguei à hipnoterapia
"Mas como é que uma enfermeira chega à hipnoterapia?"
HIPNOTERAPIASOBRE MIM
Miquelina Pires
11/19/20255 min read


Há perguntas que me fazem sorrir sempre que as ouço.
"Mas como é que uma enfermeira chega à hipnoterapia?"
É uma pergunta legítima. E merece uma resposta honesta — não a versão resumida que cabia num cartão de visita, mas a versão verdadeira. A que tem trinta anos de história, de corredores de hospital, de mãos dadas a doentes e de uma inquietação que foi crescendo em silêncio durante décadas.
Este artigo é essa resposta.
1993. O início de tudo
Comecei a trabalhar como enfermeira em 1993. Tinha a energia e a convicção de quem acredita genuinamente que escolheu a profissão certa — e acreditava mesmo. Cuidar das pessoas não era apenas um trabalho. Era, e continua a ser, uma vocação.
Nos primeiros anos, absorvi tudo. Aprendi a ler os sinais do corpo com uma precisão que só a prática clínica diária ensina. Aprendi a estar presente em momentos de dor extrema, de medo, de incerteza. Aprendi que o corpo humano é simultaneamente mais frágil e mais resistente do que qualquer manual descreve.
Mas aprendi também outra coisa — algo que os manuais raramente mencionam.
Aprendi que muitos dos doentes que passavam pelas minhas mãos não estavam apenas doentes no corpo.
O que trinta anos de enfermagem me ensinaram que a medicina não diz
Ao longo de décadas de prática clínica, observei um padrão que se repetia com uma regularidade que não conseguia ignorar.
Doentes que regressavam repetidamente com os mesmos problemas físicos — e cujos exames não explicavam nada de concreto. Pessoas cujo corpo parecia recusar-se a recuperar, mesmo quando o tratamento estava a ser feito correctamente. Profissionais de saúde — colegas meus — que chegavam ao limite e não sabiam como sair de lá.
Via o stress a manifestar-se em hipertensão. Via a ansiedade a transformar-se em dores crónicas. Via o esgotamento emocional a destruir sistemas imunitários que deveriam estar saudáveis.
E via também outra coisa: que quando alguém se sentia verdadeiramente ouvido, verdadeiramente compreendido — algo mudava. Não apenas no humor. No corpo.
A ligação entre a mente e a biologia era evidente para mim muito antes de ter palavras científicas para a descrever. Via-a todos os dias. Sentia-a em cada doente que recuperava mais depressa do que o esperado — e em cada um que não recuperava, apesar de tudo.
Esta observação foi a semente.
A inquietação que não passava
Durante anos, fiz o que a maioria dos profissionais de saúde faz: foquei-me no que estava ao meu alcance. Dei e dou o melhor de mim dentro do sistema. Fui e sou uma enfermeira presente, rigorosa e dedicada.
Mas a inquietação ficou.
Continuava a sentir que havia uma dimensão do sofrimento humano que as ferramentas que eu tinha não conseguiam alcançar. Que havia pessoas que precisavam de algo diferente — não em substituição dos cuidados médicos convencionais, mas em complemento. Uma abordagem que chegasse onde os medicamentos e os procedimentos não chegam.
Comecei a ler. A investigar. A questionar.
Foi assim que encontrei a hipnoterapia clínica — não como curiosidade esotérica, mas como campo de investigação científica com décadas de estudos publicados, com aplicações clínicas documentadas, com uma base neurológica sólida que falava directamente à enfermeira que sou.
O momento em que tudo mudou
Lembro-me do momento em que percebi que tinha de aprofundar este caminho.
Estava a acompanhar uma colega — uma profissional de saúde brilhante, dedicada, incansável — que havia chegado ao colapso total. Burnout severo. Corpo a recusar-se a funcionar. Mente a recusar-se a descansar, mesmo quando o corpo já não aguentava mais.
Os tratamentos convencionais estavam a ajudar, mas havia qualquer coisa que permanecia bloqueada. Um padrão que ela própria reconhecia mas não conseguia mudar. Uma resposta automática ao stress que se reinstalava sempre que a pressão voltava.
Naquela altura, eu ainda não era hipnoterapeuta. Mas sabia que o que ela precisava não era de mais medicação nem de mais repouso. Era de trabalhar directamente os padrões que o seu sistema nervoso havia aprendido — e que a mantinham presa, mesmo quando conscientemente queria estar livre.
Esse momento foi decisivo.
A formação. O rigor. A certeza.
Quando decidi especializar-me em Hipnoterapia Clínica, Transpessoal e Regressiva, fi-lo com a mesma exigência com que abordei sempre a minha prática de enfermagem. Não me interessava qualquer formação — interessava-me formação séria, baseada em evidência científica, que respeitasse os princípios éticos da saúde.
Estudei. Aprofundei. Fiz formação em Hipnoterapia Clínica e em Hipnoterapia Transpessoal e Regressiva. Mergulhei na neurociência do estado hipnótico, na fisiologia do stress crónico, nos mecanismos de regulação do sistema nervoso autónomo.
E quanto mais aprendia, mais confirmava o que três décadas de enfermagem me haviam ensinado de forma intuitiva: a mente e o corpo não são entidades separadas. São um sistema único e indivisível. E quando trabalhamos ambos em simultâneo — com rigor, com ética e com genuíno respeito pela pessoa — os resultados são profundos.
Porque é que a minha história importa para si
Não conto esta história por vaidade. Conto-a porque sei que, quando alguém procura um terapeuta — especialmente numa área como a hipnoterapia, onde o desconhecido pode gerar desconfiança — a pergunta que mais importa não é "quais são as suas habilitações?".
A pergunta que mais importa é: "Esta pessoa percebe verdadeiramente o que estou a sentir?"
E a resposta honesta que lhe posso dar é: sim.
Percebo o esgotamento que não passa com férias. Percebo a ansiedade que aparece sem razão aparente. Percebo o burnout dos profissionais de saúde que dão tudo aos outros e não sobra nada para si. Percebo a dor de sentir que perdeu a pessoa que era.
Percebo porque vi. Porque estive lá, ao lado dessas pessoas, durante trinta anos. Porque algumas dessas pessoas fui eu própria.
E eu própria também fui cliente de um Hipnoterapeuta de excelência!
O que ofereço hoje
Trabalho hoje como enfermeira e hipnoterapeuta clínica — duas identidades que não se contradizem, mas que se completam de uma forma que considero única.
Ofereço consultas online para quem prefere trabalhar à distância ou não tem mobilidade para se deslocar e consultas presenciais em Tomar e Abrantes. A distância não diminui a eficácia — a hipnoterapia clínica funciona igualmente bem em formato online, e muitos dos meus clientes preferem a intimidade do seu próprio espaço.
O meu trabalho centra-se em burnout, esgotamento emocional, ansiedade e stress crónico — através do Protocolo Recomeço, um método estruturado em 6 sessões que trabalha o sistema nervoso de dentro para fora.
Trabalho também em hipnoterapia transpessoal e regressiva, hipnoparto, cessação tabágica e banda gástrica hipnótica, entre outras.
Mas acima de tudo, trabalho com pessoas. Com a sua história, com o seu corpo, com os padrões que as mantêm presas — e com o genuíno desejo de as ajudar a encontrar o caminho de volta a si próprias.
Uma conversa antes de tudo
Se chegou até ao fim deste artigo, é porque algo ressoou consigo.
Talvez esteja a considerar experimentar a hipnoterapia e ainda tenha dúvidas. Talvez reconheça em si os sinais de esgotamento que descrevi. Talvez simplesmente queira perceber se esta abordagem faz sentido para a sua situação específica.
Para isso existe a consulta gratuita de 20 minutos. Sem compromisso, sem pressão. Apenas uma conversa honesta entre duas pessoas — para percebermos juntas se o caminho que proponho é o caminho certo para si.
Estou cá. E tenho todo o tempo do mundo para a ouvir.
Miquelina Pires é enfermeira desde 1993 e hipnoterapeuta clínica. Oferece consultas online e consultas presenciais em Tomar e Abrantes. Para marcar a sua conversa gratuita de 20 minutos, clique aqui: https://calendar.app.google/EoE5i33X65Z85oUn7
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