Quando a preocupação começa a ocupar o teu dia
A preocupação ocupa grande parte do teu dia? Descobre o que observar, como identificar um próximo passo e quando procurar avaliação profissional.
Miquelina Pires
10/22/20263 min read


A conversa só vai acontecer amanhã, mas já a repetiste várias vezes na cabeça. Imaginas o que vais dizer, como a outra pessoa pode responder e o que farás se correr mal. Entretanto, estás a preparar o jantar ou a tentar acompanhar uma conversa, mas a tua atenção volta sempre ao mesmo assunto.
É compreensível querer preparar uma situação importante. A dificuldade aparece quando continuas a pensar nela sem chegar a uma decisão, obter informação nova ou conseguir dedicar atenção ao resto do dia.
Preocupação e ansiedade podem fazer parte da vida. Quando se tornam persistentes, difíceis de gerir ou começam a interferir no quotidiano, merecem atenção. Isso, por si só, não permite concluir que tens uma perturbação de ansiedade. National Institute of Mental Health (NIMH)
Preparar uma situação ou continuar a antecipá-la?
Imagina que tens uma reunião sobre uma mudança no trabalho. Preparar-te pode significar confirmar a hora, reunir a informação necessária e anotar duas perguntas que queres fazer.
Depois disso, podes continuar a imaginar uma resposta desagradável, uma pergunta inesperada ou a possibilidade de ficares sem saber o que dizer. A reunião ainda não aconteceu, mas já ocupa vários momentos do teu dia.
Uma pergunta útil é: "Pensar nisto está a ajudar-me a decidir alguma coisa ou estou a voltar às mesmas possibilidades?"
Nem todas as preocupações têm uma solução imediata. Algumas dizem respeito a problemas concretos; outras centram-se em acontecimentos que podem ou não acontecer. Distinguir estas situações pode ajudar-te a perceber onde há uma ação possível e onde estás a procurar uma certeza que ainda não podes ter. Esta distinção faz parte das estratégias de autoajuda propostas pelo NHS para lidar com preocupações. Every Mind Matters
O que vale a pena observar
Mais do que contar quantas vezes te preocupas, procura perceber o efeito que isso tem na tua vida.
Talvez estejas a demorar mais a adormecer, a perder o fio de uma conversa ou a sentir dificuldade em tomar decisões simples. Podes também notar tensão muscular, inquietação ou irritabilidade. A ansiedade pode manifestar-se nos pensamentos, no corpo e no comportamento, embora estes sinais também possam ter outras causas. NHS
Observa, por exemplo:
A frequência: acontece perante uma situação específica ou acompanha vários assuntos ao longo do dia?
A dificuldade em mudar de atenção: consegues retomar o que estavas a fazer ou a preocupação regressa repetidamente?
A interferência: está a afetar o sono, o trabalho, as relações ou as tuas escolhas?
O que começas a evitar: tens adiado conversas, compromissos ou decisões por receio do que possa acontecer?
Estas perguntas servem para descrever o que estás a viver. Não são um teste de diagnóstico.
Um primeiro passo para organizar a preocupação
Escolhe uma preocupação concreta e escreve-a numa frase. Por exemplo: "Receio não saber responder na reunião."
Depois, pergunta: "Há alguma coisa útil que eu possa fazer agora?"
Pode haver: consultar um documento, esclarecer uma dúvida ou preparar uma pergunta. Nesse caso, define uma ação pequena e específica. Se só puderes agir mais tarde, anota quando.
Se a preocupação for "E se acharem que sou incompetente?", talvez não exista uma ação que garanta a opinião dos outros. Podes preparar a tua participação, mas não controlar todas as interpretações.
Escrever a preocupação e identificar um próximo passo pode ajudar a organizar o assunto. Não garante que o desconforto desapareça. O objetivo é perceber o que está ao teu alcance, em vez de tentares resolver todas as possibilidades de uma só vez. Every Mind Matters
Quando faz sentido procurar avaliação
Se a preocupação se repete, é difícil de gerir ou está a limitar a tua vida, vale a pena procurar avaliação profissional. Não precisas de esperar por deixar de conseguir trabalhar ou cumprir as tuas responsabilidades.
Podes começar pelo médico de família ou procurar um psicólogo. A avaliação ajuda a compreender o que está a acontecer e a identificar o apoio adequado. Reconheceres-te num artigo não é suficiente para estabelecer um diagnóstico. National Institute of Mental Health (NIMH)
Também é importante não atribuir automaticamente sintomas físicos à ansiedade. Se são novos, persistentes ou te preocupam, procura avaliação médica para esclarecer a sua origem. NHS
Para essa conversa, podes levar exemplos simples: quando acontece, há quanto tempo, o que notas no corpo e o que tens deixado de fazer. Não precisas de chegar com uma explicação completa.
Se queres esclarecer como trabalho
Se estás a considerar o meu acompanhamento, podes marcar uma conversa inicial gratuita. Podemos falar sobre o que procuras, esclarecer a minha forma de trabalhar e perceber se a minha intervenção é adequada à tua situação ou se deves procurar outro apoio.
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Sobre a autora: Miquelina Pires é enfermeira há mais de 30 anos, com formação em hipnoterapia clínica. Atende em Tomar e Abrantes, e online para todo o país.
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