O que é que a hipnoterapia faz ao cérebro?

O teu sistema nervoso aprendeu a ficar em alerta. A hipnoterapia clínica trabalha diretamente sobre esse padrão. Explicação sem misticismo, com base na neurociência.

HIPNOTERAPIASISTEMA NERVOSOBURNOUTNEUROCIÊNCIA

Miquelina Pires

4/23/20263 min read

A woman practices mindful meditation while sitting in an armchair during a physiotherapy session.
A woman practices mindful meditation while sitting in an armchair during a physiotherapy session.

O que é que a hipnoterapia faz ao cérebro?

Há uma pergunta que me fazem quase sempre antes da primeira sessão. Às vezes com curiosidade genuína, outras com uma ponta de desconfiança que eu respeito completamente: "Mas o que é que isso faz, exatamente?"

É uma pergunta legítima. Depois de mais de 30 anos como enfermeira, aprendi que a confiança não se pede. Conquista-se com clareza. Por isso vou tentar explicar-te o que acontece no teu cérebro durante uma sessão de hipnoterapia clínica, sem jargão desnecessário e sem promessas que não posso fazer.

O cérebro que aprendeu a não descansar

O teu sistema nervoso tem um trabalho: proteger-te. Para isso, está em avaliação constante. Analisa o ambiente, o teu corpo, as tuas memórias, e quando deteta ameaça, ativa o modo de alerta. Sobe o cortisol, acelera o coração, aguça os sentidos.

O problema é que este sistema não distingue bem entre um perigo real e um pensamento repetitivo sobre o que disseste numa reunião há três anos. Ou sobre a lista de coisas que não fizeste hoje. Ou sobre o que pode correr mal amanhã.

Quando vivemos muito tempo em sobrecarga, o sistema nervoso aprende a ficar em alerta. Não é uma decisão. É adaptação. O cérebro cria padrões para antecipar o que pode correr mal, porque durante muito tempo foi exatamente isso que aconteceu.

É por isso que o esgotamento não passa só com férias. O ambiente muda, mas o padrão biológico continua a correr. O teu corpo ainda está em modo de emergência, mesmo quando já não há emergência nenhuma.

O que muda quando entras em estado hipnótico

Aqui começa a parte que as pessoas acham surpreendente.

Estudos de neuroimagem funcional mostram que durante a hipnose clínica o cérebro altera o seu modo de funcionamento de forma mensurável. Há uma redução da atividade no córtex pré-frontal dorsolateral, que é a zona responsável pelo pensamento crítico e pelo julgamento consciente. Em simultâneo, aumenta a comunicação entre regiões que no estado habitual raramente dialogam tanto, nomeadamente as que ligam a mente às sensações do corpo.

O que isto significa na prática: o cérebro fica menos defensivo. A voz que normalmente diz "isso não vai resultar contigo" ou "já tentaste tanta coisa" fica mais quieta. Não porque foste convencida de algo. Mas porque o estado hipnótico cria uma janela onde é possível aceder a padrões instalados há anos e trabalhar diretamente sobre eles, sem a resistência habitual.

É nessa janela que acontece o trabalho real.

Porque é que isto importa no burnout

O esgotamento não é falta de força de vontade. Já o disse noutros artigos e continuo a dizer: é biologia. O teu corpo aprendeu a funcionar em modo de emergência durante tanto tempo que já não sabe sair dele por iniciativa própria.

É aqui que a hipnoterapia clínica faz algo que outras abordagens não conseguem fazer da mesma forma. Não trabalha só com o que pensas sobre o problema. Trabalha com o que o teu sistema nervoso aprendeu a sentir como verdade.

Na sessão não te peço para pensares de forma diferente. Peço ao teu sistema nervoso que experimente uma resposta diferente, num ambiente seguro e controlado. Uma resposta de calma, de regulação, que o cérebro começa a reconhecer como uma alternativa real ao estado de alerta permanente. Não é sugestão. É treino neurológico.

O que a hipnose clínica não é

Não vais perder o controlo. Não vais adormecer. Não vais fazer nada que não queiras fazer.

Estás consciente durante todo o processo. Ouves tudo, podes falar, podes parar quando quiseres. A hipnose clínica não tem nada a ver com o que vês em espetáculos de entretenimento, da mesma forma que uma cirurgia não tem nada a ver com maquilhagem teatral. O objetivo de um é impressionar. O da outra é tratar.

Se ainda tens dúvidas

É normal. E é saudável.

Eu própria, quando me formei em hipnoterapia clínica, com quase três décadas de enfermagem onde aprendi a questionar tudo o que não tinha evidência por trás. Foram exatamente as evidências neurológicas que me convenceram.

Se quiseres perceber como isto poderia funcionar no teu caso concreto, podes fazer uma consulta gratuita de 20 minutos. Uma conversa, sem compromisso, para perceber se faz sentido para ti.

Podes marcar aqui: calendly.com/miquelina-pires/sessao_diagnostico_gratuita