Querer uma mudança e sentir falta do que ficou para trás

Quiseste mudar, mas sentes saudades da vida anterior? Percebe do que sentes falta e como avaliar a mudança sem ignorar o que ficou para trás.

Miquelina Pires

10/11/20263 min read

A moving box filled with books and a blanket sits on a wooden dresser next to house keys in a new bright apartment.
A moving box filled with books and a blanket sits on a wooden dresser next to house keys in a new bright apartment.

Quiseste mudar alguma coisa na tua vida. Pensaste, ponderaste e tomaste uma decisão. Mas agora há momentos em que sentes falta do que tinhas.

E essa saudade traz uma dúvida: "Se era isto que eu queria, porque não me sinto melhor?"

A pergunta merece atenção. Mas sentir falta de partes da vida anterior não chega, por si só, para concluir que decidiste mal. Primeiro, importa perceber o que mudou e o que estás realmente a sentir falta.

Uma decisão não muda apenas aquilo que querias mudar

Imagina que mudaste de trabalho porque as condições já não te serviam. No novo emprego, tens um horário mais adequado e sentes que o teu trabalho é valorizado. Ainda assim, tens saudades dos antigos colegas, das conversas à hora de almoço e de conheceres bem o funcionamento de tudo.

As duas coisas podem existir ao mesmo tempo. As razões para sair continuam a fazer sentido, e havia naquele lugar coisas que valorizavas.

Numa separação, também podem mudar muito mais coisas do que a relação entre duas pessoas. Mudam os planos de fim de semana, algumas amizades, os hábitos da casa e a companhia em momentos do dia.

Por isso, olhar apenas para a pergunta "foi a decisão certa?" pode deixar de fora uma parte importante: o que perdeste com essa decisão, mesmo quando ela era necessária.

Do que sentes falta, concretamente?

"Tenho saudades da minha vida anterior" é uma frase compreensível, mas muito ampla.

Se a tornares mais concreta, podes descobrir diferenças importantes. Sentir falta de uma pessoa não é igual a sentir falta de ter companhia ao jantar. Ter saudades dos colegas não é igual a querer regressar às condições daquele trabalho.

Esta distinção ajuda-te a perceber o que valorizavas e o que podes procurar construir na vida atual.

Se te faz falta conversar ao fim do dia, talvez precises de recuperar contacto com pessoas de quem gostas. Se estranhas os fins de semana sem planos, podes começar por escolher uma atividade que te interesse. Se o novo trabalho ainda te parece estranho, há rotinas e relações que ainda estás a conhecer.

Não tens de preencher imediatamente todos os espaços que ficaram. Mas perceber quais são esses espaços dá-te uma orientação mais concreta.

Não precisas de defender a decisão a toda a hora

Quando alguém diz "mas não era isto que querias?", podes sentir que admitir uma dificuldade põe em causa a tua decisão.

Então respondes que está tudo bem, mesmo quando há coisas que ainda te custam. Ou começas a enumerar as razões pelas quais mudaste, como se tivesses de justificar novamente a escolha.

Podes reconhecer uma dificuldade sem retirar o que disseste antes.

"Queria mudar de trabalho e estou satisfeita por o ter feito. Ainda sinto falta dos meus colegas."

Esta frase permite falar da experiência inteira. Não exige que escolhas entre defender a mudança e admitir o que ela te custou.

E se houver motivos para rever a decisão?

Também importa deixar espaço para essa possibilidade. Nem toda a dúvida é apenas dificuldade de adaptação, e nem toda a decisão deve ser mantida só porque já foi tomada.

Podes olhar para o que acontece hoje: as razões que te levaram a mudar continuam presentes? A nova situação corresponde ao que precisas? Há problemas concretos que não tinhas previsto? O que pode ser ajustado?

A saudade é uma parte dessa avaliação. As condições atuais, as tuas necessidades e o que vais conhecendo também contam.

Rever uma decisão pode fazer sentido. Mantê-la e reconstruir algumas referências também. O importante é perceber em que estás a basear essa escolha.

Uma pergunta para começares

Em vez de perguntares apenas "será que fiz mal?", experimenta completar esta frase:

"O que me faz falta é…"

Procura uma resposta concreta: uma pessoa, uma conversa, um hábito, um lugar ou a previsibilidade de uma rotina.

Podes descobrir que não queres a vida anterior de volta. Queres recuperar algo que tinha valor para ti e encontrar uma forma de lhe dar lugar na vida que tens agora.

Se estás numa fase de mudança e sentes dificuldade em perceber o que precisas agora, conhece o meu trabalho. Podes marcar uma conversa inicial gratuita para esclarecer dúvidas e perceber se o acompanhamento que proponho é adequado ao que estás a viver.

Sobre a autora: Miquelina Pires é enfermeira há mais de 30 anos, com formação específica em hipnoterapia clínica. Atende presencialmente em Tomar e Abrantes e online para todo o país.

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