Tenho Esgotamento, Ansiedade e uma Tristeza que Não Passa ao Mesmo Tempo. É Normal?
Sentes esgotamento, ansiedade e uma tristeza persistente ao mesmo tempo? Percebe porque isto é mais comum do que pensas, com base em evidência clínica atual.
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Miquelina Pires
8/27/20263 min read


Recebi, há algum tempo, uma mulher numa conversa inicial que começou por dizer que só queria tratar da ansiedade. A meio da conversa, admitiu que também não dormia por cansaço. A certa altura, quase em voz baixa, disse que também já não sentia alegria em quase nada. Perguntou-me, envergonhada, se não estaria só a exagerar, a juntar sintomas a mais para parecer pior do que era.
Não estava. E se te revês nalguma parte desta descrição, provavelmente também não estás.
Porque é tão comum sentir os três ao mesmo tempo
Esgotamento, ansiedade e uma tristeza persistente raramente aparecem isolados. Nas sessões, é muito mais frequente encontrar os três presentes em graus diferentes do que encontrar um sozinho. A pessoa costuma reconhecer o que dói mais e nomear só esse, sem perceber que os outros dois já lá estão, mais discretos.
Isto não é falta de autoconhecimento. É que os três nascem, em grande parte, do mesmo mecanismo: um corpo que esteve em esforço prolongado, sem espaço suficiente para recuperar entre um desafio e o seguinte.
O que os três têm em comum no corpo
Ansiedade, esgotamento e uma tristeza que não tem motivo claro ativam respostas de stress muito semelhantes. Quando essa resposta se mantém ligada durante meses, sem alívio suficiente, o corpo começa a mostrar sinais em várias frentes ao mesmo tempo: o sono piora, a energia diminui, o interesse pelas coisas do dia a dia esbate-se, e a mente fica mais reativa a qualquer coisa que pareça ameaça, mesmo pequena.
Por isso é tão comum sentir os três juntos. Não são três situações distintas. São três formas diferentes do mesmo sistema a mostrar que já está sobrecarregado há demasiado tempo.
Porque tratá-los como problemas separados atrasa a melhoria
Uma reação comum é tentar resolver cada sintoma isoladamente: um chá para dormir melhor, uma técnica de respiração para a ansiedade, mais força de vontade para a tristeza. Cada uma destas coisas pode ajudar um pouco, mas nenhuma toca na raiz, porque a raiz é comum aos três.
Insistir em separá-los tende a criar frustração extra. A pessoa sente que já tentou de tudo, sem perceber que estava a tratar sintomas isolados de um problema que precisa de ser olhado no conjunto.
O que diz a evidência científica mais recente
Está atualmente em curso a primeira revisão sistemática e meta-análise dedicada especificamente à eficácia da hipnoterapia no burnout e em quadros associados, incluindo ansiedade, depressão e perturbação de stress pós-traumático. É um sinal de que a investigação está, finalmente, a olhar para estes quadros como um conjunto interligado, e não como categorias que nada têm a ver umas com as outras. Os resultados são esperados para o final de 2026.
Esta linha de investigação reforça o que a experiência clínica já mostra: intervenções que trabalham a resposta de stress do corpo diretamente, em vez de tratarem cada sintoma em separado, tendem a ter impacto mais amplo do que soluções pontuais para cada queixa isolada.
Como um processo de acompanhamento estruturado ajuda
Um trabalho clínico orientado para esta sobreposição não começa por perguntar qual dos três tratar primeiro. Começa por olhar para o padrão todo: há quanto tempo o corpo está nesta resposta de esforço prolongado, e o que precisa de mudar para que ele deixe de reagir como se o perigo nunca tivesse passado. A hipnoterapia clínica trabalha diretamente com essa resposta, através de um processo com etapas e espaço entre sessões, não como solução isolada para cada sintoma.
Se o que leste até aqui te faz sentido, tens duas formas de dar o próximo passo. Podes ouvir o áudio gratuito de 10 minutos sobre o que se passa no corpo nestes três quadros, disponível em miquelinapires.pt/audio-gratis, ou marcar uma conversa inicial gratuita de 20 minutos, online, para perceberes se este acompanhamento faz sentido para a tua situação.
Sobre a autora: Miquelina Pires é hipnoterapeuta clínica e enfermeira há mais de 30 anos. Atende em Tomar e Abrantes, e online para todo o país.
Fontes consultadas:
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