61% dos portugueses dizem sentir-se esgotados ou em risco de burnout. Só 3% fazem terapia.

Dados do STADA Health Report 2025 mostram que 61% dos portugueses já sentiram esgotamento ou burnout, mas só 3% recorre a terapia. Porque é tão difícil pedir ajuda.

ESGOTAMENTOBURNOUT

Miquelina Pires

7/29/20268 min read

A stressed woman with a headache sitting at a desk with a laptop, experiencing work-related burnout.
A stressed woman with a headache sitting at a desk with a laptop, experiencing work-related burnout.

61% dos portugueses dizem sentir-se esgotados ou em risco de burnout. Só 3% fazem terapia.

Mais de seis em cada dez portugueses afirmam sentir-se esgotados ou em risco de burnout.

Mais de um terço refere problemas de saúde mental.

Ainda assim, apenas 3% dizem recorrer a terapia.

Os dados pertencem ao STADA Health Report 2025, um inquérito realizado em vários países europeus. Não significam que 61% da população portuguesa tenha um diagnóstico de burnout. Representam aquilo que os participantes disseram sentir e a forma como avaliaram a própria situação.

Mesmo com essa ressalva, os números revelam uma diferença difícil de ignorar: muitas pessoas reconhecem que não estão bem, mas poucas procuram acompanhamento.

Entre sentir que alguma coisa mudou e pedir ajuda, podem passar meses ou anos.

Durante esse tempo, a pessoa continua a trabalhar, a cuidar da família, a responder a tudo e a esperar que o cansaço desapareça sozinho.

O que mostrou o STADA Health Report 2025

O STADA Health Report 2025 resultou de um inquérito online realizado pela consultora Human8, em fevereiro e março de 2025, em 22 países.

Em cada país participaram entre 1.000 e 2.000 pessoas, com idades entre os 18 e os 99 anos. As amostras foram organizadas para representar diferentes idades, géneros e regiões.

Em Portugal, 61% dos participantes afirmaram sentir-se esgotados ou em risco de burnout. Mais de um terço, 36%, referiu problemas de saúde mental e apenas 3% disseram fazer terapia.

No conjunto europeu, 66% dos participantes afirmaram já ter vivido esgotamento, ter sentido que estavam perto desse ponto ou ter apresentado sentimentos associados.

Os dados mostram que o desgaste não é uma experiência isolada nem rara.

Mas também revelam que reconhecer o sofrimento não significa necessariamente procurar ajuda.

Sentir esgotamento não é o mesmo que ter um diagnóstico

Os números do inquérito devem ser interpretados com cuidado.

Dizer que uma pessoa se sente esgotada ou em risco de burnout não equivale a uma avaliação clínica. O estudo recolheu respostas dos próprios participantes e não realizou diagnósticos individuais.

A palavra burnout também é frequentemente utilizada para descrever qualquer forma de cansaço intenso.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o burnout refere-se especificamente ao contexto profissional. Resulta de stress no trabalho que se prolongou e não foi gerido com sucesso.

Pode envolver esgotamento, maior distância mental ou negatividade em relação ao trabalho e diminuição da eficácia profissional.

O burnout não está classificado como uma doença.

Quando o desgaste resulta sobretudo do cuidado de outras pessoas, de dificuldades económicas, de doença, de conflitos familiares ou da acumulação de exigências em várias áreas da vida, pode ser mais adequado falar de sobrecarga ou esgotamento prolongado.

Esta distinção importa porque ajuda a perceber o que precisa de mudar e que apoio poderá ser necessário.

Porque tantas pessoas continuam sem pedir ajuda

Não existe uma única razão para a diferença entre o número de pessoas que sentem dificuldades e aquelas que procuram acompanhamento.

Algumas acreditam que estão apenas cansadas e que tudo passará quando conseguirem dormir melhor ou tirar férias.

Outras associam a procura de ajuda a situações graves, diagnósticos ou crises visíveis. Enquanto continuam a trabalhar e a cumprir o essencial, concluem que ainda não estão suficientemente mal.

Também pode existir vergonha, receio de julgamento ou a ideia de que pedir apoio significa não conseguir lidar com a própria vida.

Há ainda obstáculos concretos, como o custo, a falta de tempo, as listas de espera, a dificuldade em encontrar o profissional adequado ou a dúvida sobre a utilidade do acompanhamento.

Os dados divulgados sobre Portugal indicam que 25% dos participantes apontaram o custo como um obstáculo à procura de ajuda. Outros 22% referiram dúvidas sobre a eficácia da terapia.

Para quem já está esgotada, pesquisar profissionais, explicar o que se passa e tomar uma decisão pode parecer apenas mais uma tarefa para acrescentar à lista.

A saúde mental continua a ser sentida como menos valorizada

O inquérito mostrou também que 60% dos europeus consideram que a saúde mental e a saúde física não recebem um tratamento equivalente nos sistemas de saúde dos respetivos países.

Em Portugal, esta percepção chegou aos 70%.

Isto não prova, por si só, como funcionam todos os serviços ou como cada pessoa será acompanhada. Mostra, no entanto, que existe uma forte percepção de desigualdade.

Quando alguém acredita que será difícil obter resposta, que poderá não ser compreendida ou que terá de esperar demasiado tempo, é compreensível que adie o pedido de ajuda.

Esse adiamento não significa que o sofrimento seja menor.

Significa muitas vezes que a barreira para começar continua demasiado alta.

“Ainda consigo trabalhar” não significa “estou bem”

O esgotamento nem sempre provoca um colapso visível.

Podes continuar a levantar-te, trabalhar, responder a mensagens, organizar a casa e cuidar de outras pessoas.

Por fora, parece que estás a conseguir.

Por dentro, cada tarefa começa a exigir mais esforço. A concentração diminui. O descanso deixa de produzir a recuperação esperada. A irritabilidade aumenta e sentes que já não tens disponibilidade para mais nada.

Talvez tenhas deixado de sentir entusiasmo pelo trabalho. Talvez estejas mais distante das pessoas ou já não consigas aproveitar os momentos em que, teoricamente, poderias descansar.

A capacidade de continuar não revela o custo necessário para o fazer.

Não precisas de estar de baixa, chorar em público ou deixar de cumprir as tarefas essenciais para reconhecer que algo mudou.

O problema não é apenas individual

Quando milhares de pessoas vivem desgaste relacionado com o trabalho, o impacto não fica limitado à vida privada.

Em 2022, a Ordem dos Psicólogos Portugueses estimou que o stress e os problemas de saúde psicológica no trabalho representaram perdas anuais de produtividade de aproximadamente 5,3 mil milhões de euros para as empresas em Portugal.

A estimativa incluiu cerca de 1,8 mil milhões de euros associados ao absentismo e 3,5 mil milhões relacionados com o presentismo.

O presentismo acontece quando a pessoa está no trabalho, mas funciona abaixo da sua capacidade devido a dificuldades de saúde.

Estes 5,3 mil milhões de euros não correspondem apenas ao burnout. O cálculo abrange diferentes problemas de saúde psicológica e situações de stress profissional.

Ainda assim, o valor torna visível uma realidade importante: ambientes de trabalho com excesso de exigência, pouca autonomia, horários prolongados ou falta de apoio têm consequências humanas e económicas.

Não é responsável colocar toda a solução sobre a pessoa, como se bastasse organizar melhor o tempo, fazer exercício ou aprender a suportar mais.

O descanso é importante, mas pode não resolver tudo

Dormir melhor, fazer pausas, reduzir a utilização do telemóvel e tirar férias podem ajudar.

Mas alguns dias de descanso nem sempre compensam meses ou anos de exigência.

Podes regressar às mesmas condições de trabalho, ao mesmo volume de tarefas e às mesmas responsabilidades que contribuíram para o desgaste.

Também pode existir uma causa de saúde associada ao cansaço. Anemia, alterações da tiroide, menopausa, dor persistente, perturbações do sono, efeitos da medicação e outras condições podem afetar a energia, a concentração e o humor.

Por isso, o cansaço persistente não deve ser atribuído automaticamente ao burnout.

Quando dura várias semanas, está a agravar-se ou começa a interferir com o quotidiano, é importante procurar uma avaliação de saúde.

Pedir ajuda não exige que saibas explicar tudo

Uma das razões pelas quais muitas pessoas adiam o acompanhamento é não conseguirem dar um nome ao que sentem.

Talvez não saibas se estás perante burnout, ansiedade, depressão, sobrecarga ou apenas um cansaço que deixou de passar.

Não precisas de ter essa resposta antes de procurar ajuda.

Podes começar por descrever aquilo que mudou: há quanto tempo te sentes assim, como dormes, que tarefas se tornaram mais difíceis e de que forma o cansaço está a afetar o trabalho e a vida pessoal.

O primeiro passo pode ser uma consulta com o teu médico de família.

Dependendo dos sintomas e da situação, poderá ser necessário acompanhamento médico, psicológico ou psiquiátrico.

Procurar ajuda cedo não significa dramatizar. Significa evitar que o desgaste continue a aumentar sem ser compreendido.

Onde pode entrar a hipnoterapia clínica

A hipnoterapia clínica utiliza atenção focada, imaginação orientada e sugestões relacionadas com objetivos definidos antecipadamente.

Durante a sessão, continuas consciente. Podes ouvir, falar, mexer-te, abrir os olhos ou interromper o exercício em qualquer momento.

Na minha prática, pode ser utilizada para trabalhar aspetos específicos associados ao esgotamento, como a dificuldade em parar, a antecipação constante, a culpa quando descansas e outras respostas que se tornaram habituais.

Não se trata de diagnosticar burnout, depressão ou uma perturbação de ansiedade.

Também não substitui uma avaliação médica, medicação prescrita, acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, nem as mudanças necessárias nas condições de trabalho e de vida.

A hipnoterapia pode ser considerada um recurso complementar quando existem objetivos adequados e condições para realizar o acompanhamento com segurança.

Porque o acompanhamento não deve ser apresentado como uma solução imediata

Quando estás cansada há muito tempo, é compreensível que procures uma mudança rápida.

Mas uma situação que envolve trabalho, sono, saúde física, responsabilidades familiares e dificuldade em estabelecer limites raramente se resolve através de uma única intervenção.

Um acompanhamento responsável não deve prometer resultados iguais para todas as pessoas nem apresentar uma sessão como solução para meses ou anos de desgaste.

É necessário compreender a situação, definir objetivos e observar o que acontece ao longo do processo.

Algumas pessoas percebem alterações mais cedo. Outras precisam de mais tempo. Existem também situações em que outro tipo de acompanhamento é mais indicado.

O Protocolo Recomeço

O Protocolo Recomeço é um percurso estruturado de cinco sessões para mulheres que vivem esgotamento, sobrecarga e dificuldade em recuperar.

Inclui também uma sessão online de avaliação, realizada entre quatro e cinco semanas depois da quinta sessão e incluída no protocolo.

O objetivo é desenvolver o acompanhamento por etapas, permitindo observar a evolução e ajustar o trabalho à situação individual.

Não é um programa para diagnosticar ou tratar doenças e não substitui os cuidados de saúde necessários.

Quando existem sinais que exigem outra avaliação ou outro tipo de acompanhamento, essa necessidade deve ser reconhecida.

Podes conhecer o Protocolo Recomeço.

Não precisas de esperar até deixares de conseguir continuar

Talvez ainda estejas a trabalhar.

Talvez ninguém tenha percebido o quanto estás cansada.

Talvez continues a responder que está tudo bem porque ainda não sabes explicar exatamente o que mudou.

Nada disso significa que tens de esperar.

Os números mostram que o esgotamento é frequente. A percentagem reduzida de pessoas que faz terapia não significa que as restantes não precisem de apoio.

Mostra que existe uma distância considerável entre reconhecer que alguma coisa não está bem e conseguir dar o primeiro passo.

Esse passo não precisa de ser grande.

A conversa inicial gratuita é sempre online e dura aproximadamente 20 minutos. Serve para explicares brevemente o que estás a viver, esclareceres dúvidas e percebermos se a hipnoterapia clínica poderá fazer sentido como recurso complementar.

Não é uma consulta de diagnóstico, não é uma sessão de hipnose e não implica compromisso nem pressão para avançar.

Podes ver a disponibilidade para uma conversa inicial gratuita.

Miquelina Pires
Enfermeira desde 1993 e hipnoterapeuta clínica desde 2023
Consultas presenciais em Tomar e Abrantes e atendimento online

Fontes consultadas

STADA. STADA Health Report 2025.

STADA. A healthy life: desired by many, lived by only half of Europeans.

Diário de Notícias. Burnout e saúde mental afetam portugueses, mas apenas 3% fazem terapia.

Saúde Online. Mais de metade dos portugueses sentem-se em risco de burnout, mas só 3% recorrem a terapia.

Organização Mundial da Saúde. Burn-out an occupational phenomenon.

Organização Mundial da Saúde. Mental health at work.

Ordem dos Psicólogos Portugueses. Stresse e problemas de saúde psicológica no trabalho custam 5,3 mil milhões por ano.

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